discutir a gestão

coluna de opinião no Diário Económico

Estivalidades

Periodicamente vou avaliar a minha situação de saúde. Um curioso hábito que sobreveio da maçada de um enfarte e de uns re-arranjos nas coronárias que implicaram ser serrado ao meio. Aconselho vivamente que evitem. E, depois de casa assaltada trancas à porta... Portanto, agora, tenho acesso privilegiado a um mundo fascinante de descententes anteriores e acinesias da parede anterior, que implicam exames acima do vulgar electro cardiograma. Tudo para ver se me mantenho na classe 1, que é a classe de vossas excelências que são sedentários, colesterol elevado, umas cigarradas, e têm, ainda, a ilusão de que nada vos pode acontecer. Ora no quadro destas avaliações "estratégicas e estruturantes", vou agora fazer um sofisticado TAC que permitirá uma imagem tridimensional do que me foi instalado de origem.Ler o artigo completo...
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Elogio da pobreza

Uma pesquisa na Internet mostra que a palavra “empreendorismo” aparece muitas vezes associada à palavra “apoios”. No ‘site' empreendorismo.pt aparecem 25 programas, iniciativas e financiamentos para aqueles que pretendem criar a sua empresa. Estes apoios são um desperdício. Se o objectivo é ajudar as pessoas a criar o seu próprio emprego não é preciso ir além do micro-crédito. Se o objectivo é potenciar a inovação, os apoios são desnecessários. Ler o artigo completo...
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O mercado

Um dia, quem sabe no tempo dos meus netos, talvez se venha a conhecer entre nós uma Economia aberta e, na qual, o mercado poderá, finalmente, funcionar. Para já, as expectativas são poucas ou nenhumas de que tal venha a ser verdade. Mas, se formos optimistas, podemos sempre acreditar em fadas dos dentes. Esta curiosa, e imemorial, aliança entre plutocracia e oligarquia parece ser o beco em que as democracias desembocaram e todos parecem satisfeitos. Tanto melhor. Ler o artigo completo...
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Não programem as pessoas

Imagine que o seu telefone toca e que, do outro lado da linha, uma pessoa lhe tenta vender alguma coisa, a assinatura de uma revista, um canal pago de televisão ou um seguro. Pelo tom de voz e pela forma de falar do seu interlocutor, percebe que ele está a ler. Pior, percebe que a conversa tem um caminho pré-definido, um guião, no qual pouco importa o que responde… Imagine agora que vai a um restaurante de ‘fast-food’. Chega a sua vez e pede uma cola sem gelo e um hamburger com queijo. Quem o atende responde “e qual é a bebida?” Nos dois casos, aquilo que o atingiu foi a febre dos ‘scripts’. Ler o artigo completo...
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Não vendemos tabaco!

No fim do percurso entre minha casa e a Nova há uma papelaria. Há uma semana atrás, vi que o proprietário tinha afixado um aviso na entrada que dizia ‘não vendemos tabaco’. A explicação era simples, o senhor não tinha paciência para esclarecer os clientes que lhe entravam todos os dias na loja para comprar cigarros - um produto que não queria vender porque via o seu negócio apenas como uma papelaria. Este caso mostra qual é realmente o problema da competitividade de pequenas empresas como esta e de grandes empresas como a General Motors: todas elas dependem de uma grande tolerância no mercado para sobreviverem, mas os seus clientes oferecem-lhes cada vez menos margem de manobra. Ler o artigo completo...
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A minha geração

A minha geração está agora no poder. Entreteve-se em meados da década de setenta a discutir politica com um entusiasmo pueril, tipicamente adolescente, cheio de certezas e absolutos imperativos incontornáveis e inexoráveis. Participou em RGA loucas e exuberantes, colocando tudo em questão, construindo futuros imaginários inadiáveis e inelutáveis. A minha geração respirou a explosão do ar da liberdade sem verdadeiramente conhecer o cheiro fétido do medo de pensar e safou-se da guerra. A minha geração fazia directas na praia à luz da fogueira e de sonhos generosos discutindo filmes de Tarkovsky e as obras de Milan Kundera. A minha geração descobriu o inter-rail, andou pelos campos e pelas cidades vivendo sem barreiras e quase sem limites. A minha geração experimentou quase tudo o que havia para experimentar. Mas a minha geração envelheceu. É como aqueles pêssegos descongelados nas prateleiras dos supermercado. Era brilhante e radiosa. Mas quando chegou a casa já estava definhada. Macilenta e sem fulgor. Ler o artigo completo...
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O preço do sucesso

Ser gestor é como ser adulto: é um estado que parece só ter benefícios até o atingir. Depois de lá chegar, são mais cardos do que rosas. Os primeiros anos são sempre os mais difíceis. Depois de passar de empregado a chefe, o jovem aspirante a neófito de aprendiz de gestor está ainda suficientemente perto de quem trabalha para saber que muitas dos objectivos e regras impostos por quem lidera são irreais e até perigosos. No entanto têm que os apresentar aos seus colaboradores como se fossem o resultado de um conhecimento profundo da empresa e do mercado e não da aplicação irreflectida de opiniões, palpites e, pior ainda, dos prodigiosos ensinamentos dos gurus da gestão. Os supervisores dos call centers de atendimento ao cliente, por exemplo, têm que explicar aos operadores que faz todo o sentido medir o seu desempenho com base na velocidade com que desligam o telefone ao cliente. Ler o artigo completo...
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Teleologia

Uma das coisas mais recorrentes nas minhas aulas, mormente por parte de alunos mais velhos e mais “batidos”, é a irrupção de comentários sobre a distância, quando não mesmo a oposição, entre os “modelos” académicos e a “prática” nas empresas. Esta “esquizofrenia” é tanto maior quanto mais nos aproximemos de posições mais pós-modernas que salientem o “valor do capital humano”, ou da “gestão dos activos imateriais como a lealdade dos clientes”, ou dos “novos modelos de lideranças transformacionais”. Às vezes a coisa começa se por acaso se fala do ‘paper’ do Coase sobre porque é que há empresas e não só mercados, que lhe deu o prémio Nobel. Daí à pergunta para que é que queremos, hoje, empresas pode ser um ápice. Em princípio, as empresas são a mais eficiente maneira de produzirmos produtos escrutinados no Mercado, e cujo “comportamento” agregado gera riqueza para todos. Ler o artigo completo...
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Os efeitos económicos do krypton

Para os economistas as pessoas são racionais: o seu comportamento é determinado pelos incentivos de que pode beneficiar. Infelizmente para a maioria das empresas, é difícil encontrar homens (ou mulheres) racionais. Esta carência é espantosa tendo em conta que a popularidade dos cursos de gestão tem feito com que a uma fatia apreciável da população activa seja licenciada (ou quase) nesta área. Até parece que um dos gases raros que compõem a atmosfera contamina a mente humana apagando este princípio de comportamento que, de acordo com os economistas, todos deveríamos seguir. Eu pessoalmente voto no krypton. Eu sei que é só 0.00033% do ar que respiramos, mas se a Kryptonite faz mal ao Super Homem, um gás com nome parecido deve ter o mesmo efeito no Homem Racional. A minha teoria é que as paredes das faculdades de economia são revestidas por um material que protege quem lá estuda. Logo que se abandona o seu efeito protector, adeus racionalidade económica. Claro que há uma explicação alternativa: os pressupostos da economia são uma ficção que nada tem a ver com a realidade — mas esta hipótese é obviamente absurda. Ler o artigo completo...
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As armadilhas da crise

As dificuldades da conjuntura económica estão a obrigar muitos gestores a tomar decisões difíceis. Têm que encontrar oportunidades de negócio, avaliar retornos e responder permanentemente a um mundo que oscila de forma imprevisível e incontrolável... As pressões do mercado, dos accionistas e dos bancos obrigam quem tem responsabilidades de gestão a tentar, em simultâneo, aumentar a produtividade e promover a inovação. É preciso reduzir custos e encontrar novas fontes de receitas. Mas, se os objectivos são óbvios, a forma de os alcançar pode esconder muitas armadilhas. Ler o artigo completo...
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Fusões e Aquisições

Em épocas de crise, uma das estratégias mais populares, e oportunas, consiste no aproveitar dos saldos. Empresas em dificuldades, à beira da extinção, são adquiridas por outras cujo desafogo financeiro lhes permite equacionar várias alternativas estratégicas. Ora em contextos de crise, frequentemente encontram-se negócios que são pechinchas...Ler o artigo completo...
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Blogs e Twitter

Há hoje uma variedade enorme de meios de comunicação ‘online'. Os ‘blogs' e mais recentemente o Twitter tornam a relação entre as empresas e o exterior mais directa. É por isso mesmo que os gestores têm que evitar a todo o custo que os seus colaboradores utilizem estas tecnologias e castigar severamente os que já o façam. Senão correm o perigo de tornar o que se passa no seu escritório do conhecimento público e, terror dos terrores, diminuir o profundo défice democrático que existe nestes locais. Ler o artigo completo...
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Fractalidades e ruído de fundo

Finalmente temos uma palavra. Grande depressão. Até os bens de Giffen ou de luxo caem nos índices de consumo, contrariando a teoria económica que se ensina logo na terceira semana de micro economia. O Financial Times fez um ‘endorsement' de um livro que, entre muitos outros, arrasa com a hipótese do mercado eficiente. O doutor Trichet, contudo, parece dizer que a crise acaba já numa destas quintas-feiras e quiçá nem se dá por ela. Os juros caem a pique no BCE e os juros nem tugem nem mugem nos empréstimos, porque os ‘spreads' parecem de ajustamento automático. Um banco falido e nacionalizado lá fora continua a oferecer crédito a torto e a direito em centros comerciais ao pé de si, apenas por 30% de juros ao ano, e, naturalmente, a pessoas financeiramente iletradas, que parecem não ter condições de reembolsar nem uma parte do capital. Já se suspeita que o presidente Obama não caminhará sobre as águas. Ler o artigo completo...
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Contrariar o "bom-senso"

Quem não arrisca, limitando-se a repetir fórmulas testadas, está condenado ao fracasso. Foi este o aviso que Kjell Nordström deixou aos gestores numa conferência recente em Lisboa. Professor na Stockholm School of Economics e co-autor de livros como “Funky Business” e “Karaoke Capitalism”, Nordström é um provocador profissional, um feroz crítico da “normalidade” que é capaz de expressar com clareza uma ideia evidente: se todos tentam repetir os mesmo casos de sucesso, a nossa economia torna-se num ‘karaoke’ desafinado, onde as mesmas ideias são repetidas até à exaustão como se não fosse possível fazer outra coisa. Ler o artigo completo...
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A verdadeira guerra pelo talento

Há muitos anos, antes de existirem gurus da Gestão, apareceu um livro chamado o Princípio de Peter. Nesse livro, demonstrava que as pessoas tendem a ser promovidas para o seu posto de incompetência. O argumento é simples: quando uma pessoa desempenha as suas funções com sucesso é provável que seja promovida para o degrau hierárquico seguinte. Só quando deixar de ter bons resultados (encontrando-se assim no seu nível de incompetência) é que deixará de ser promovida. Para os autores do livro, a consequência mais importante deste processo é que os lugares de chefia estão, na sua maioria, ocupados por pessoas sem capacidade para os exercer. Para mim há um resultado ainda mais preocupante: as pessoas competentes passam muito pouco tempo na linha da frente das empresas, em que estas contactam com o mercado. Depois de dois ou três degraus na escada em direcção ao topo, os gestores perdem a capacidade de fazer estragos. Quem pode comprometer o sucesso comercial da empresa são as pessoas que interagem todos os dias com os clientes. Ler o artigo completo...
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Pequenos detalhes fundamentais

Perceber o que conduz ao sucesso é fundamental. Malcom Gladwell procurou fazer precisamente isso com o seu livro “Outliers”, publicado no fim de 2008 e já com versão portuguesa. O que leva algumas pessoas a erguer-se acima da multidão? Naturalmente que o talento, a perseverança e o esforço pessoal são fundamentais, mas esses méritos não chegam, ao contrário do que as biografias oficiais nos querem fazer crer. Gladwell mostra-nos como as oportunidades, o contexto cultural e os acasos desempenham também um papel fundamental. Se percebermos alguns padrões ocultos do sucesso de Bill Gates, dos Beatles ou de Oppenheimer, talvez possamos remover barreiras que nos impedem de triunfar. Ler o artigo completo...
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Natal com os copos

Este é o mês dos jantares de Natal das empresas. Nestas alegres festas de harmonia e confraternização, os gestores mais eficazes trocam os incentivos, a visão e o ‘coaching’ pelo vodka, pelo whisky e pela cerveja na sua caixa de ferramentas de liderança de equipas. Estas e outras bebidas alcoólicas podem resolver os conflitos internos, solidificam o laços entre os seus membros e asseguram os níveis de energia necessários para ultrapassar novos desafios. Ler o artigo completo...
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Conto de Natal

Era uma vez um país. E nesse país vivia um rapazinho. O pai, preocupado com o futuro do petiz e acabada a quarta classe, colocou-o a aprender um mester (nesses longínquos tempos não existiam novas oportunidades, só mesmo possibilidades de aprender a fazer coisas pela via menos paternalista do trabalho duro). No caso, o de cortador de carnes num talho. E o petiz cedo evidenciou uma aptidão natural para o negócio. De tal sorte, que se estabeleceu por conta própria ainda era quase imberbe. Foi consolidando a sua network de fornecedores e construiu uma adequada “base de clientes” mercê de um belíssimo “marketing de proximidade” e lábia q.b.! Isso, e uma balança cuja regulação permitia “poupar” cem gramas de carne em cada quilograma vendido, que ao fim de cada dia, em média, davam dois quilitos a favor de futuros cash-in-flows. De modos que ao fim do primeiro ano, conseguiu economizar para um carro em segunda mão com jantes de liga leve. Ler o artigo completo...
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Choque de Gerações

Esta geração de “nativos digitais” já está nas nossas empresas e organizações, a tentar encaixar-se num jogo que lhe é estranho. Tal como a geração anterior ia beber um café ou buscar um copo de água para falar com os colegas, esta geração tentar actualizar o seu estado no Facebook ou no Hi5. Mas, em vez de o conseguir fazer com naturalidade, descobre que a administração de redes da sua empresa decidiu bloquear o acesso a esses sites, tal como ao YouTube e a muitos outros recursos que assim lhe ficam vedados. Com a desculpa da produtividade, do tráfego de dados e da largura de banda (como se esta não duplicasse a cada 12 meses), a decisão até parece aparentemente razoável. Mas será mesmo?Ler o artigo completo...
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O fim dos crimes de colarinho branco

A melhor solução para os problemas éticos que têm assolado a economia global e os mercados financeiros que a sustentam é ensinar os lideres a esconder melhor as suas pequenas traquinices.

A verdade é que as empresas e a sua cotação na bolsa não sofrem com as malandrices cometidas por quem as comanda. Em muitos casos até beneficiam das travessuras feitas para proveito próprio ou em nome do sucesso, em mercados cada vez mais competitivos. O que de facto destrói valor e prejudica o bom funcionamento das instituições do capitalismo é a teimosia dos jornalistas e dos investigadores que têm trazido estes casos a público. Ler o artigo completo...
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